Ahhhhhhhhhhhhh.... A minha vontade era chegar na cara dela e gritar!!! Perguntar se ela não vê que é difícil pra mim! Que o que eu peço pra ela é o mínimo!!! Parece que não me preocupo com ela, mas sim, me preocupo! Imagino que não seja nada fácil ter um filho gay. Sei que isso quebra todas as expectativas de uma mãe. Mas cara, eu não escolhi isso. E ela sabe disso! Ela mesma me disse isso quando me abri com ela... Disse que estaria do meu lado e bla bla bla! Não sou ingrato pela atitude da minha mãe naquele momento, mas o que vejo é que foram só palavras. Hoje entendo o que ela esperava depois daquilo. Coisas que ouvi naquele momento do tipo “Essa é sua vida! Ninguém tem nada a ver com isso” não significavam “Meu filho, você tem direito de fazer o que é melhor para sua vida”, na verdade eu devia ter entendido como “Meu filho, se não quiser me envergonhar não deixe que ninguém saiba, faça tudo escondido.”. É péssima essa sensação! Não queria nunca me sentir como se envergonhasse minha mãe. Sinto que não fiz nada para despertar este sentimento nela, mas é a verdade!
É tudo uma bola de neve. Nunca senti por parte da minha mãe aquele amor incondicional típico das mães que aceitam seus filhos como são. Típico daquelas mães que torcem por seus filhos acima de tudo. E isso desde criança. Sempre reivindiquei um tratamento igual perante aos meus irmãos. Parece reclamação de criança mimada, e eu queria que fosse. Entretanto é real, são 23 anos assim. Antes eu era abusado demais e agora eu sou gay. Sempre tive barreiras (algumas eu criei, confesso) para ter o carinho dos meus pais. E agora a maior barreira de todas é intrínseca a mim, é algo que não posso mudar e preciso me acostumar. Minha homossexualidade sempre foi fácil. Nunca enfrentei grandes preconceitos, nunca passei por situações difíceis por isso. Felizmente, isso não está escrito na minha testa e nem evidente nas minhas roupas. Isso ameniza as dificuldades. Mas agora começo a ter que ser forte para enfrentar o pior dos inimigos, a família. Por enquanto minha mãe é a única que sabe e isso já me arrasa o coração, o que será do meu peito quando todos souberem. Meus irmãos podem me virar as costas, minhas tias tentarão me tornar evangélico, todos falarão de mim pelas costas. E tudo por que simplesmente nasci com a mente diferente deles. Mas quer saber, eu não to sozinho, eu tenho meu amor, o Gui, ele tá comigo sempre e vai me ajudar a superar essas coisas. Ele também passará por suas dificuldades quando for a hora dele, e eu estarei do seu lado. Vou ficar por aqui, pois meu coração tá melhor do que quando comecei a escrever. Isso realmente faz bem!
Ahh Bruno, só pra te lembrar que tudo isso começou quando sua mãe disse que você estava exagerando por pedir para o Gui dormir na sua casa, numa sexta ao invés dodomingo(Imperatriz). Ela dessa que daqui a pouco os vizinhos estariam comentando. A gente não sabe o que....